Cultura
Museu do Ipiranga Reabre com Exposição Imersiva que Reconta a História do Brasil
Após 9 anos fechado para reformas, o Museu Paulista da USP retorna com acervo triplicado e experiências interativas que dialogam com o presente.
Reabertura histórica
Após quase uma década de espera, o Museu do Ipiranga reabriu suas portas no último sábado, dia 5 de junho de 2026, com uma exposição que promete revolucionar a forma como os brasileiros enxergam sua própria história. Localizado no tradicional bairro do Ipiranga, em São Paulo, o museu pertencente à Universidade de São Paulo (USP) passou por uma ampla reforma financiada por recursos públicos e privados, totalizando R$ 240 milhões.
Acervo multiplicado
O novo Museu do Ipiranga triplicou sua área expositiva, passando de 3 mil para 9 mil metros quadrados. Segundo o diretor João Paulo Martins, o número de peças em exibição saltou de 3 mil para mais de 12 mil, incluindo documentos históricos, pinturas, mobiliário e objetos do cotidiano. “Queremos mostrar que a história não é estática; ela é constantemente reinterpretada”, afirmou Martins durante a cerimônia de abertura, que contou com a presença do governador João Doria e do reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior.
Exposição imersiva
O ponto alto da reabertura é a exposição permanente “Brasil: Muitas Histórias”, que utiliza tecnologia de ponta para criar experiências imersivas. Visitantes podem caminhar por projeções em 360 graus que recriam cenas do período colonial, como a chegada da família real portuguesa em 1808, ou interagir com telas sensíveis ao toque para explorar mapas históricos. “Não somos mais um museu de contemplação; somos um espaço de diálogo”, destacou a curadora Ana Paula Almeida.
Polêmicas e reparações
A reabertura também trouxe à tona debates sobre a representação de personagens históricos. Uma das salas mais polêmicas é a que aborda o período da escravidão, com instalações que criticam a atuação de figuras como o Barão de Iguape, até então exaltado como herói local. “Precisamos contar a história completa, com seus heróis e vilões”, explicou a historiadora Lilia Moritz Schwarcz, que participou da curadoria. A nova abordagem já gerou reações de grupos conservadores, mas a direção do museu afirma que a exposição é baseada em pesquisas acadêmicas recentes.
Programação especial
Para celebrar a reabertura, o museu preparou uma série de eventos gratuitos ao longo do mês de junho, incluindo visitas guiadas noturnas, apresentações de música clássica e oficinas para crianças. Os ingressos podem ser agendados pelo site oficial, e a expectativa é receber 1 milhão de visitantes no primeiro ano. “Este é um presente para São Paulo e para o Brasil”, concluiu o governador João Doria.
Ficha técnica
- Museu do Ipiranga – Rua dos Patriotas, 100 – Ipiranga, São Paulo/SP
- Horários: Terça a domingo, das 10h às 17h
- Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); grátis aos sábados
Cultura
Cultura em Foco: Festival Internacional de Teatro Anuncia Programação para 2026
Evento reúne companhias de 15 países e celebra a diversidade cultural com mais de 50 espetáculos em todo o estado.
O Festival Internacional de Teatro (FIT) 2026, que acontece em junho, divulgou sua programação oficial nesta segunda-feira. Com o tema ‘Diálogos Globais’, o evento contará com 52 espetáculos de 15 países, incluindo estreias nacionais e internacionais. A cerimônia de abertura será no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com a peça ‘Odisseia Urbana’, dirigida por renomado encenador argentino.
Entre os destaques, está a participação do grupo francês Théâtre du Soleil, que apresenta ‘A Revolução dos Bichos’, adaptação da obra de George Orwell. Do Japão, a companhia Sankai Juku traz ‘Hibiki’, uma performance de butoh. Já o Brasil é representado por montagens como ‘Chão de Estrelas’, do diretor mineiro, e ‘Cordel do Fogo’, do nordeste brasileiro.
Além dos espetáculos, o FIT oferece workshops, debates e mostras paralelas em espaços culturais de todo o estado, como o Centro Cultural Banco do Brasil e o Sesc. A expectativa é de público superior a 100 mil pessoas. Ingressos estarão disponíveis a partir de 1º de maio, com preços populares a partir de R$ 10.
Cultura
O Samba que Silenciou: A Revolução dos Terreiros nas Periferias
Com apoio de editais inéditos, movimentos culturais transformam espaços abandonados em templos de resistência e criatividade.
Nova onda cultural reocupa ruas e praças com arte afro-brasileira
Em uma tarde de sol no bairro do Bixiga, o som de tambores e palmas ecoa entre as construções antigas. Um terreiro de candomblé, antes escondido atrás de muros pichados, agora abriga um festival de samba de roda e capoeira. A cena, que se repete em diversas periferias de São Paulo e Rio de Janeiro, é resultado de uma política pública inédita: o edital “Raízes Vivas”, que destinou R$ 5 milhões para projetos culturais em comunidades de baixa renda.
A iniciativa, fruto de parceria entre o Ministério da Cultura e a Secretaria de Cultura de São Paulo, selecionou 42 propostas em 2025. Entre elas, o projeto “Griot Digital”, que ensina jovens a gravar e editar documentários sobre tradições orais afro-brasileiras, e “Tambores de Resistência”, que revitalizou um galpão abandonado na Zona Sul carioca para ensinar percussão a crianças.
“O que vemos é uma retomada dos espaços públicos pela cultura de matriz africana”, explica a antropóloga Helena Santos. “Há uma geração que não se contenta em apenas consumir cultura, quer produzi-la e usá-la como ferramenta de transformação social.” Segundo dados do Observatório Nacional de Cultura, o número de grupos culturais em comunidades cresceu 35% desde 2023.
Entre os destaques, está o coletivo “AfroLabs”, que desenvolveu um aplicativo de realidade aumentada para mapear pontos históricos da cultura negra em Salvador. “Ninguém conhece o patrimônio material e imaterial que temos”, diz a líder do projeto, a artista visual Carla Mendes. “Nosso objetivo é fazer com que as pessoas caminhem pela cidade e vejam a história que está por trás de cada esquina.”
Apesar do entusiasmo, desafios persistem. A manutenção dos equipamentos culturais e a continuidade dos financiamentos são preocupações. “Precisamos de um plano de longo prazo”, alerta o secretário adjunto de Cultura, João Almeida. “Os editais são importantes, mas não podem ser a única fonte de recursos.”
Enquanto isso, nas ruas, o samba continua. Aos domingos, o largo do Bixiga vira um palco improvisado, com famílias inteiras dançando e cantando. Para dona Maria do Carmo, de 78 anos, mestra de capoeira e uma das líderes do terreiro, “a cultura é a alma do povo. Sem ela, a gente perde a identidade. Ver esses jovens se apropriando do espaço é um presente.”
Cultura
Festival Internacional de Dança Atrai Milhares com Coreografias Inovadoras
Evento reúne artistas de 20 países e destaca a fusão entre tradição e modernidade na dança contemporânea
O Festival Internacional de Dança, realizado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, reuniu mais de 50 mil espectadores ao longo de 10 dias, com apresentações que misturam balé clássico, hip-hop e danças folclóricas. A abertura contou com a estreia mundial da coreografia ‘Brasil Profundo’, assinada pela renomada coreógrafa Ana Botafogo, que homenageia a cultura indígena.
Entre os destaques, o grupo francês ‘Les Ballets Contemporains’ apresentou uma performance interativa com drones e projeções mapeadas, enquanto a companhia japonesa ‘Butoh Kai’ trouxe elementos teatrais ancestrais. O festival também promoveu oficinas gratuitas para jovens de comunidades carentes, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura.
O encerramento, com a Orquestra Sinfônica Brasileira interpretando obras de Heitor Villa-Lobos, emocionou o público. O prefeito Eduardo Paes declarou: ‘A dança é uma linguagem universal que conecta o Rio ao mundo’. A expectativa é que o evento se torne bienal, ampliando a participação de artistas africanos e latino-americanos.
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