Cultura
Música e Resistência: Como o Samba se Mantém Vivo nas Periferias Brasileiras
Em meio a desafios econômicos e culturais, comunidades mantêm tradição viva com rodas de samba e ensino para jovens
A força do samba nas comunidades
No coração das periferias brasileiras, o samba continua sendo uma ferramenta de resistência cultural e identidade. Mesmo com cortes de verbas para a cultura e a pandemia de COVID-19, grupos comunitários mantêm vivas as rodas de samba, que funcionam como espaços de memória e transformação social.
Iniciativas locais
No Rio de Janeiro, a Roda de Samba do Pedrão, em Duque de Caxias, reúne semanalmente centenas de pessoas. Criada há mais de 20 anos, a roda é tocada por músicos da comunidade que aprenderam com mestres do samba. O projeto também oferece oficinas gratuitas para crianças, ensinando instrumentos como cavaquinho e pandeiro.
Desafios atuais
Com a aprovação da Lei Aldir Blanc 2, que destina recursos emergenciais, muitas rodas de samba conseguiram se reerguer. No entanto, a burocracia e a falta de espaços adequados ainda são obstáculos. Em São Paulo, o Grupo Cultural Samba da Vela, na zona sul, denuncia a especulação imobiliária que ameaça o território onde ocorre a roda há décadas.
Depoimentos
Dona Ivone Lara (fictício), filha de sambista e coordenadora do Samba da Vela, afirma: ‘O samba é nossa herança, mas precisa de apoio para não morrer. As crianças precisam conhecer essa história.’ Já o mestre Mestre Didi, do Pedrão, destaca: ‘Enquanto houver um pandeiro, o samba vai ecoar.’
Futuro do samba
Especialistas apontam que a digitalização tem ajudado na divulgação, mas o essencial é o encontro presencial. Projetos como o Samba de Roda do Recôncavo, na Bahia, patrimônio imaterial, inspiram novas gerações. A cultura popular resiste.
Cultura
Carnaval 2026: O Desfile que Redefiniu a Cultura Brasileira
Escolas de samba inovam com tecnologia e diversidade, atraindo recorde de turistas
Um Espetáculo de Inovação e Tradição
O Carnaval de 2026 entrou para a história como um marco cultural, combinando a riqueza das tradições brasileiras com tecnologia de ponta. As escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo apostaram em carros alegóricos com realidade aumentada e fantasias interativas, encantando um público recorde de 5 milhões de foliões nas ruas.
Diversidade como Tema Central
Pela primeira vez, oito escolas tiveram enredos dedicados à cultura afro-brasileira e indígena, destacando a importância do respeito à diversidade. A Mangueira, por exemplo, homenageou o líder indígena Ailton Krenak, com uma ala que reproduzia a luta pela demarcação de terras.
Impacto Econômico e Social
O evento gerou R$ 8 bilhões em receita, impulsionando o turismo e a geração de empregos. Pequenos artistas e comunidades locais foram beneficiados com projetos de inclusão social, como a Oficina de Samba, que capacitou jovens de favelas.
Reconhecimento Internacional
O desfile foi transmitido ao vivo para 150 países, com destaque para a participação da estilista Zuzu Angel (homenageada na Sapucaí) e do músico Gilberto Gil, que comandou o trio elétrico em Salvador.
Cultura
A Revolução Silenciosa: Como a Nova Geração Redefine a Cultura nas Metrópoles
Jovens artistas e ativistas urbanos transformam espaços públicos em galerias a céu aberto, desafiando instituições tradicionais e criando um novo mapa cultural no Brasil.
A Revolução Silenciosa: Como a Nova Geração Redefine a Cultura nas Metrópoles
Em meio ao caos urbano, uma nova onda cultural emerge das periferias e centros degradados das grandes cidades brasileiras. Jovens artistas, curadores independentes e ativistas estão ocupando praças, viadutos e terrenos abandonados para criar manifestações artísticas que desafiam o status quo. Essa movimentação, batizada de ‘Cultura de Ocupação’, já conta com mais de 200 coletivos espalhados por São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
O movimento ganhou força após a pandemia, quando espaços culturais tradicionais fecharam as portas. ‘A rua se tornou nossa tela’, diz a artista visual Camila Souza, 28, do coletivo ‘Arte Livre SP’. ‘Não esperamos por editais ou patrocínios. Pintamos murais, organizamos slams de poesia e festivais de música com doações e mutirões.’
A iniciativa já atraiu a atenção de instituições como o Museu de Arte Moderna (MAM) e a Bienal de São Paulo, que passaram a incluir obras desses coletivos em suas mostras. ‘É uma via de mão dupla: eles trazem frescor e autenticidade, e nós oferecemos visibilidade e estrutura’, afirma a curadora Paula Martins.
No entanto, a relação com o poder público é ambígua. Enquanto algumas prefeituras apoiam com leis de incentivo, outras criminalizam a intervenção urbana. ‘Já fomos multados por pintar um muro abandonado’, denuncia o grafiteiro Lucas Oliveira. ‘Mas isso não nos para. A cultura é uma ferramenta de resistência.’
Especialistas apontam que essa efervescência reflete uma mudança geracional. ‘Os jovens não querem mais consumir passivamente. Eles querem produzir, intervir e transformar’, analisa o sociólogo Carlos Alberto dos Santos. ‘É uma cultura viva, que se reinventa a cada esquina.’
O movimento já gerou desdobramentos econômicos: feiras de arte independente, cursos livres e até aplicativos de mapeamento cultural. ‘A cultura de ocupação não é apenas arte, é também economia criativa e inclusão social’, conclui Camila.
Cultura
Museu do Ipiranga Reabre com Exposição Imersiva Sobre o Brasil Oitocentista
Após nove anos fechado para reformas, o Museu Paulista da USP apresenta nova curadoria que mescla acervo histórico com tecnologia digital, atraindo milhares de visitantes no primeiro fim de semana.
Museu do Ipiranga Reabre com Exposição Imersiva Sobre o Brasil Oitocentista
Após nove anos fechado para reformas, o Museu do Ipiranga (Museu Paulista da USP) reabriu suas portas no último sábado com uma exposição inovadora que mescla acervo histórico com tecnologia digital. A mostra principal, intitulada “Uma História do Brasil: do Império à República”, ocupa os salões recém-restaurados e utiliza projeções mapeadas, hologramas e estações interativas para narrar a formação da sociedade brasileira no século XIX.
Entre os destaques está a sala dedicada à Independência do Brasil, onde uma linha do tempo virtual reconstrói os eventos de 1822 com documentos e objetos originais. O público pode interagir com réplicas em 3D de itens como a coroa de Dom Pedro I e a pena usada na assinatura do decreto de independência. O diretor do museu, Paulo César Garcez Marins, explicou que a nova abordagem busca “tornar a história acessível e envolvente para todas as idades”.
A reforma, que custou R$ 120 milhões, também incluiu a modernização da infraestrutura, com a instalação de sistemas de climatização e acessibilidade. O jardim francês, projetado por Tomás Gaudêncio, foi recuperado seguindo o projeto original de 1890. Nos primeiros dias, o museu recebeu mais de 8 mil visitantes, com filas que se estendiam por quarteirões. A expectativa da diretoria é receber 500 mil pessoas por ano.
Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e podem ser adquiridos online. Crianças até 5 anos, professores e idosos têm entrada gratuita. O museu funciona de terça a domingo, das 10h às 17h. A exposição temporária “O Brasil de Debret: imagens de uma nação” complementa a visita, com 50 obras do artista francês que retratou o país no período joanino.
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