Cultura
O Samba que Silenciou: A Revolução dos Terreiros nas Periferias
Com apoio de editais inéditos, movimentos culturais transformam espaços abandonados em templos de resistência e criatividade.
Nova onda cultural reocupa ruas e praças com arte afro-brasileira
Em uma tarde de sol no bairro do Bixiga, o som de tambores e palmas ecoa entre as construções antigas. Um terreiro de candomblé, antes escondido atrás de muros pichados, agora abriga um festival de samba de roda e capoeira. A cena, que se repete em diversas periferias de São Paulo e Rio de Janeiro, é resultado de uma política pública inédita: o edital “Raízes Vivas”, que destinou R$ 5 milhões para projetos culturais em comunidades de baixa renda.
A iniciativa, fruto de parceria entre o Ministério da Cultura e a Secretaria de Cultura de São Paulo, selecionou 42 propostas em 2025. Entre elas, o projeto “Griot Digital”, que ensina jovens a gravar e editar documentários sobre tradições orais afro-brasileiras, e “Tambores de Resistência”, que revitalizou um galpão abandonado na Zona Sul carioca para ensinar percussão a crianças.
“O que vemos é uma retomada dos espaços públicos pela cultura de matriz africana”, explica a antropóloga Helena Santos. “Há uma geração que não se contenta em apenas consumir cultura, quer produzi-la e usá-la como ferramenta de transformação social.” Segundo dados do Observatório Nacional de Cultura, o número de grupos culturais em comunidades cresceu 35% desde 2023.
Entre os destaques, está o coletivo “AfroLabs”, que desenvolveu um aplicativo de realidade aumentada para mapear pontos históricos da cultura negra em Salvador. “Ninguém conhece o patrimônio material e imaterial que temos”, diz a líder do projeto, a artista visual Carla Mendes. “Nosso objetivo é fazer com que as pessoas caminhem pela cidade e vejam a história que está por trás de cada esquina.”
Apesar do entusiasmo, desafios persistem. A manutenção dos equipamentos culturais e a continuidade dos financiamentos são preocupações. “Precisamos de um plano de longo prazo”, alerta o secretário adjunto de Cultura, João Almeida. “Os editais são importantes, mas não podem ser a única fonte de recursos.”
Enquanto isso, nas ruas, o samba continua. Aos domingos, o largo do Bixiga vira um palco improvisado, com famílias inteiras dançando e cantando. Para dona Maria do Carmo, de 78 anos, mestra de capoeira e uma das líderes do terreiro, “a cultura é a alma do povo. Sem ela, a gente perde a identidade. Ver esses jovens se apropriando do espaço é um presente.”
Cultura
Festival Internacional de Dança Atrai Milhares com Coreografias Inovadoras
Evento reúne artistas de 20 países e destaca a fusão entre tradição e modernidade na dança contemporânea
O Festival Internacional de Dança, realizado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, reuniu mais de 50 mil espectadores ao longo de 10 dias, com apresentações que misturam balé clássico, hip-hop e danças folclóricas. A abertura contou com a estreia mundial da coreografia ‘Brasil Profundo’, assinada pela renomada coreógrafa Ana Botafogo, que homenageia a cultura indígena.
Entre os destaques, o grupo francês ‘Les Ballets Contemporains’ apresentou uma performance interativa com drones e projeções mapeadas, enquanto a companhia japonesa ‘Butoh Kai’ trouxe elementos teatrais ancestrais. O festival também promoveu oficinas gratuitas para jovens de comunidades carentes, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura.
O encerramento, com a Orquestra Sinfônica Brasileira interpretando obras de Heitor Villa-Lobos, emocionou o público. O prefeito Eduardo Paes declarou: ‘A dança é uma linguagem universal que conecta o Rio ao mundo’. A expectativa é que o evento se torne bienal, ampliando a participação de artistas africanos e latino-americanos.
Cultura
Festival de Inverno de Ouro Preto Atrai Recorde de Público com Programação Inclusiva
Evento cultural de 12 dias reúne mais de 50 atrações nacionais e internacionais, superando expectativas e promovendo acessibilidade.
O Festival de Inverno de Ouro Preto, um dos mais tradicionais do Brasil, encerrou sua 55ª edição com recorde de público: mais de 200 mil pessoas participaram das atividades gratuitas entre os dias 1 e 12 de julho. A programação, que incluiu música, teatro, dança, cinema e artes visuais, foi marcada pela diversidade e pela acessibilidade. Grupos como o Ballet Stagium e a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais se apresentaram em palcos adaptados para pessoas com deficiência. A novidade deste ano foi a estreia do palco ‘Música para Todos’, que contou com intérpretes de Libras e audiodescrição. Para a prefeita de Ouro Preto, Maria Inês, o festival reafirma o papel da cidade como polo cultural. ‘A cultura transforma vidas e promove a inclusão social’, afirmou. O evento também gerou impacto econômico significativo, com ocupação hoteleira de 95% e movimentação de R$ 15 milhões na economia local. A expectativa para 2027 é ampliar a participação de artistas internacionais.
Cultura
Festival de Inverno de Campos do Jordão 2026: Programação e Destaques
Tradicional evento cultural retorna com concertos, ópera e homenagem a Carlos Gomes; confira datas e atrações.
Festival de Inverno de Campos do Jordão 2026
O Festival de Inverno de Campos do Jordão, um dos mais tradicionais eventos culturais do Brasil, retorna em 2026 com uma programação repleta de música clássica, ópera e homenagens. Organizado pela Fundação Osesp e pelo Governo do Estado de São Paulo, o festival ocorre de 1º a 31 de julho, transformando a cidade serrana em um grande polo cultural. A edição deste ano homenageia os 200 anos do compositor Carlos Gomes, com apresentações de suas principais obras.
Destaques da Programação
Entre os concertos imperdíveis, destaca-se a apresentação da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) regida pelo maestro Thierry Fischer, executando a sinfonia ‘O Guarani’ de Carlos Gomes. O tenor italiano Andrea Bocelli fará uma participação especial no dia 15 de julho. A ópera ‘Il Guarany’ será encenada no Auditório Cláudio Santoro com direção cênica de André Heller-Lopes. Haverá também recitais de piano com o renomado pianista brasileiro Nelson Freire.
Atividades Paralelas
Além dos concertos, o festival oferece oficinas de música para jovens talentos, exposições de arte e visitas guiadas ao Palácio Boa Vista. A programação inclui ainda apresentações de jazz com a cantora Elza Soares e o guitarrista Yamandu Costa. O encerramento será com o espetáculo ‘A Noite dos Tambores’, que reúne ritmos afro-brasileiros.
Ingressos e Informações
Os ingressos estarão disponíveis a partir de maio no site oficial do festival. Haverá transporte gratuito entre São Paulo e Campos do Jordão para os concertos principais. A expectativa é de público recorde, superando os 200 mil visitantes de 2025.
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