Cultura
Ritmos Ancestrais: A Revolução Silenciosa dos Tambores Indígenas no Sertão
Jovens músicos resgatam toadas seculares e transformam comunidades no interior da Bahia
O eco dos tambores que atravessa gerações
No coração do sertão baiano, um movimento cultural silencioso ganha força. Jovens das etnias Pataxó e Tupinambá, liderados pelo mestre tamborzeiro João dos Santos, estão resgatando ritmos ancestrais que estavam adormecidos há décadas. O projeto ‘Tambores do Sertão’, iniciado em 2023, já envolve mais de 200 crianças e adolescentes em oficinas de percussão, confecção de instrumentos e canto tradicional.
As apresentações, que ocorrem em aldeias e praças públicas, atraem cada vez mais público. “O tambor não é só música, é resistência. Cada batida conta a história do nosso povo”, afirma João. O sucesso chamou atenção do Ministério da Cultura, que passou a financiar o projeto, e de artistas como Gilberto Gil, que visitou uma das oficinas em maio.
Para a antropóloga Maria Helena Santos, da Universidade Federal da Bahia, o movimento representa uma “revolução estética e política”. Ela explica que os ritmos não eram apenas entretenimento, mas também forma de comunicação e registro histórico. “Estamos diante de um resgate que pode influenciar a música brasileira como um todo”, completa.
O projeto também promove feiras de artesanato e rodas de conversa sobre direitos indígenas. A próxima etapa, segundo João, é gravar um álbum com as toadas e levar o espetáculo para o Theatro Municipal do Rio de Janeiro em 2026.
Cultura
Teatro Municipal do Rio é tombado e ganha R$ 20 milhões para restauro
Ícone cultural carioca recebe investimento do BNDES e do MinC para revitalização de sua fachada e estrutura interna
Teatro Municipal do Rio de Janeiro é tombado e ganha R$ 20 milhões para restauro
O Teatro Municipal do Rio de Janeiro, um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil, foi oficialmente tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) nesta quarta-feira. O anúncio foi feito pelo Ministério da Cultura, que também destinou R$ 20 milhões para obras de restauro. O edifício, inaugurado em 1909, passará por intervenções na fachada, no telhado e nos camarins, além da modernização dos sistemas elétrico e hidráulico.
O investimento virá do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do próprio MinC. A cerimônia contou com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, e do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. Ambos destacaram a importância do teatro para a cultura brasileira e a necessidade de preservar sua arquitetura eclética, inspirada na Ópera de Paris.
O teatro, que já recebeu espetáculos de nomes como Heitor Villa-Lobos e Carmen Miranda, continuará em funcionamento durante as obras, previstas para durar dois anos. A expectativa é que, após o restauro, o Municipal se torne ainda mais acessível ao público, com novas áreas de exposição e visitação.
Cultura
Museu do Café em Santos abre exposição interativa sobre a história do café no Brasil
Mostra imersiva com tecnologia holográfica celebra 150 anos da chegada da planta ao país e destaca a influência cultural do café
Museu do Café em Santos abre exposição interativa sobre a história do café no Brasil
O Museu do Café, localizado em Santos (SP), inaugurou no último sábado (1º de maio) a exposição ‘Café: Uma Viagem Sensorial’, que promete transportar os visitantes por 150 anos de história da cultura cafeeira no Brasil. A mostra, que ocupa três salas do casarão histórico, utiliza tecnologia holográfica e realidade aumentada para recriar desde as primeiras plantações no Vale do Paraíba até as modernas fazendas do Cerrado Mineiro.
Entre os destaques, está a recriação em 3D de uma antiga fazenda de café do século XIX, com sons de pássaros e cheiros característicos. Os visitantes poderão interagir com hologramas de figuras históricas, como o Imperador Dom Pedro II, que foi um grande incentivador do cultivo. ‘É uma forma de homenagear a nossa herança cultural e mostrar como o café moldou a identidade brasileira’, afirmou a curadora Ana Beatriz de Oliveira.
A exposição também aborda o impacto social do café, incluindo a participação dos imigrantes italianos e japoneses no desenvolvimento das lavouras. Uma sala especial é dedicada à imigração japonesa no Brasil, que completa 120 anos em 2026. ‘Nós trouxemos mapas interativos e depoimentos em vídeo de descendentes que mantêm viva a tradição’, explicou o historiador Carlos Alberto Silva.
A mostra conta ainda com uma cafeteria temática, onde os visitantes podem degustar diferentes tipos de grãos produzidos em regiões como Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia. O evento tem entrada gratuita às quartas-feiras e permanece aberto até dezembro de 2026. O Museu do Café fica no centro histórico de Santos e é um dos principais pontos turísticos da cidade.
Cultura
Grafite Urbano: Cores que Transformam a Cidade e Revelam Identidades
Artistas de rua reinventam espaços degradados, criando diálogos visuais entre tradição e modernidade.
Nas ruas de São Paulo, uma revolução silenciosa acontece com latas de spray e pincéis. O grafite, antes marginalizado, agora é celebrado como expressão cultural legítima, transformando muros cinzas em galerias a céu aberto. Artistas como Eduardo Kobra, reconhecido internacionalmente, lideram um movimento que mescla técnica apurada e mensagens sociais.
O bairro da Vila Madalena, famoso por seus becos coloridos, tornou-se point turístico. Lá, obras gigantescas retratam desde personalidades como Frida Kahlo até críticas ao consumismo. A Prefeitura de São Paulo, por meio de editais como o “Programa de Fomento à Arte Urbana”, apoia legalmente a prática, gerando renda para centenas de artistas.
Coletivos como o “Frente 3 de Fevereiro” usam o grafite para denunciar racismo e desigualdade. “Cada traço é uma declaração política”, afirma a artista Nina Pandolfo, conhecida por suas figuras oníricas. A arte de rua também invade periferias, com oficinas gratuitas em comunidades como Heliópolis, democratizando o acesso à cultura.
Eventos como o “Mural da Diversidade”, realizado em São Bernardo do Campo, reuniram 50 artistas em 2025 para pintar um painel de 1 km. A ação celebrou os 20 anos da Lei de Incentivo à Cultura, que destinou R$ 5 milhões para projetos de arte urbana. Especialistas apontam que o grafite reduz a criminalidade em 30% em áreas revitalizadas.
Apesar do reconhecimento, desafios persistem. Pichações ilegais ainda geram polêmicas, e a especulação imobiliária ameaça a autenticidade dos muros. Artistas defendem a regulamentação que preserve a liberdade criativa. “Não queremos museus, queremos a rua viva”, resume Kobra.
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