Cultura
Festival de Campos do Jordão Celebra Música Clássica e Inclusão Social
Evento reúne jovens talentos brasileiros e internacionais em programação gratuita
Música que transforma
O Festival de Inverno de Campos do Jordão, um dos mais tradicionais eventos de música clássica da América Latina, chega à sua 54ª edição com uma programação que une excelência artística e compromisso social. De 3 a 27 de julho de 2026, a cidade serrana de São Paulo receberá concertos, óperas, recitais e masterclasses, com entrada gratuita para a maioria das atividades.
Jovens talentos em destaque
Neste ano, o festival apresenta a Orquestra Sinfônica Jovem, formada por 90 músicos de todo o Brasil, selecionados por meio de audições públicas. A regência estará a cargo do maestro João Carlos Martins, que retorna ao evento após superar desafios de saúde. “A música é instrumento de inclusão e esperança”, afirmou o maestro.
Programação internacional
Além dos concertos, haverá a estreia da ópera “O Guarani”, de Carlos Gomes, com direção cênica de Mônica Salmaso. A programação inclui ainda apresentações do pianista Nelson Freire (em memória) e da violinista russa Viktoria Mullova.
Inclusão social e acessibilidade
O festival oferece intérprete de Libras em todos os concertos, audiodescrição para cegos e ingressos gratuitos para moradores da região. “A cultura é direito de todos”, disse a secretária de Cultura de São Paulo, Marília Marton.
Cultura
Museu Nacional de Belas Artes Reabre com Exposição Inédita de Tarsila do Amaral
Após dois anos de reforma, o museu carioca apresenta 150 obras da modernista, incluindo raridades nunca exibidas ao público.
Museu Nacional de Belas Artes Reabre com Exposição Inédita de Tarsila do Amaral
Após dois anos de obras de restauro, o Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, reabre as portas ao público nesta quinta-feira com a exposição ‘Tarsila Viajante’. A mostra reúne 150 obras da pintora modernista Tarsila do Amaral, incluindo telas, desenhos e cadernos de viagem que nunca foram exibidos antes.
A curadoria é assinada por Regina Teixeira de Barros, especialista na obra da artista. A exposição ocupa três salas do museu e conta com recursos multimídia, como uma projeção imersiva que reproduz as paisagens que inspiraram Tarsila em suas viagens pelo Brasil e pelo exterior.
Entre as obras inéditas estão esboços preparatórios para a famosa tela ‘Operários’ e uma aquarela feita durante sua estadia em Paris em 1923. A mostra também apresenta documentos históricos, como cartas trocadas com Oswald de Andrade.
A reabertura do museu incluiu melhorias na acessibilidade e na climatização. O diretor do MNBA, Rafael Cardoso, destacou: ‘É um momento de renovação, e nada melhor do que celebrar com a obra de uma das maiores artistas brasileiras’.
A exposição fica em cartaz até 30 de setembro, com entrada gratuita aos domingos.
Cultura
Grafite e Resistência: A Revolução Silenciosa das Ruas Paulistanas
Artistas urbanos transformam muros em galerias a céu aberto, enquanto coletivos lutam por reconhecimento e políticas públicas para a arte de rua.
A Arte que Brota do Asfalto
São Paulo, junho de 2026 – O cinza dos muros ganha cor e denúncia. Em um movimento que une estética e ativismo, grafiteiros da capital paulista transformam a paisagem urbana em um museu a céu aberto. Coletivos como “Cores da Periferia” e “Muros em Movimento” têm ocupado regiões como a Avenida Paulista e o bairro da Liberdade, levando arte para onde o olhar do poder público muitas vezes não alcança.
Para a artista Ana Costa, referência no grafite feminino, a rua é a galeria mais democrática. “Não precisa de ingresso, não tem curador. A arte chega a quem passa todos os dias”, afirma. Sua obra mais recente, um enorme painel no Viaduto do Chá, retrata mulheres negras como heroínas do cotidiano. A técnica mescla spray e tinta acrílica, em um estilo que a crítica especializada chama de “realismo fantástico periférico”.
O reconhecimento, no entanto, ainda é uma batalha. “Muitos ainda confundem grafite com pichação. A diferença é clara: o grafite é uma intervenção artística autorizada ou em diálogo com o espaço”, explica Carlos Mendes, historiador da arte e curador da exposição “Arte Urbana: do Muro ao Museu”, em cartaz no Museu de Arte de São Paulo (MASP). A mostra reúne 50 painéis de artistas de rua, incluindo obras de Eduardo Kobra e da dupla Os Gêmeos, que ganharam projeção internacional.
Do outro lado, os coletivos pressionam a prefeitura por políticas públicas. Em 2025, a Lei Municipal do Grafite foi sancionada, destinando 1% do orçamento da Secretaria de Cultura para projetos de arte urbana. Mas a verba ainda não saiu do papel. “Enquanto isso, somos nós que compramos latas de spray com nossa renda de feirantes e motoboys”, ironiza Rafael Almeida, líder do coletivo “Grafita São Paulo”.
O movimento também se conecta a causas sociais. Na Favela do Moinho, um projeto de grafite comunitário envolveu jovens em oficinas de arte e cidadania. O resultado é um corredor cultural de 2 km de extensão, com murais que narram a história do local e denunciam a especulação imobiliária. “A arte salva vidas. Tira a criança do crime e dá um spray para ela pintar o futuro”, diz Maria Santos, líder comunitária.
Para especialistas, o grafite paulistano vive um momento de virada. “Deixou de ser marginal para se tornar uma linguagem estética e política”, afirma Pedro Oliveira, crítico de arte. Com a aproximação da 29ª Bienal de Arte de São Paulo em 2027, a expectativa é que a arte urbana ocupe espaços antes restritos a telas e instalações. Até lá, as ruas continuam sendo o principal palco dessa revolução silenciosa.
Cultura
Arte de Rua Transforma Muros em Telas: Festival de Graffiti Agita São Paulo
Evento reúne artistas nacionais e internacionais para revitalizar bairros com cores e crítica social.
Muros ganham vida em São Paulo
O Festival de Graffiti de São Paulo, que começou no último sábado, já transformou mais de 50 muros em obras de arte urbana. O evento, que segue até o próximo domingo, conta com a participação de 30 artistas, incluindo nomes como Eduardo Kobra e Bia Monteiro. As intervenções ocorrem nos bairros da Vila Madalena, Pinheiros e Centro Histórico. A curadoria é do coletivo Graffiti SP, que busca democratizar o acesso à arte e dar voz a questões sociais. O festival conta com patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura e do Instituto Itaú Cultural. Além das pinturas, há oficinas gratuitas e rodas de discussão sobre o papel do graffiti na cultura contemporânea. A expectativa dos organizadores é receber mais de 10 mil visitantes.
Impacto cultural e social
De acordo com o curador Lucas Oliveira, o graffiti é uma ferramenta de transformação urbana. “A arte de rua humaniza os espaços e provoca reflexão”, afirma. Não é a primeira vez que a cidade sedia um evento desse porte; em junho de 2025, o festival realizou sua primeira edição com grande sucesso. Este ano, a novidade é a participação de artistas de Colômbia, França e Japão. As obras abordam temas como mudanças climáticas, desigualdade social e identidade cultural. O festival também lançou um aplicativo que permite ao público interagir com as artes por meio de realidade aumentada. A iniciativa é parte de um movimento maior de valorização da cultura periférica. “A arte de rua é democrática e acessível”, completa o artista Chico Vidal.
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