Cultura
Samba, grafite e ancestralidade: como a nova geração reinventa a cultura de rua no RJ
Jovens artistas transformam muros do Centro em galeria a céu aberto e resgatam rodas de samba com beats eletrônicos
Uma explosão de cores e sons no coração do Rio
Na esquina movimentada da Rua do Lavradio, onde o casario colonial encontra arranha-céus, um grupo de jovens grafiteiros ergue pincéis e sprays. Não são apenas desenhos: são retratos de Dona Ivone Lara, Cartola e Marielle Franco, pintados com tons vibrantes de azul, magenta e amarelo. Ao lado, uma caixa de som toca samba remixado com batidas eletrônicas. É o movimento ‘Samba de Rua 2.0’, que a cada domingo reúne centenas de pessoas em praças e becos da região.
O projeto, idealizado pelo produtor cultural Thiago Santos, de 27 anos, quer provar que a cultura de rua não morreu. ‘A gente pega o que tem de mais tradicional — o samba, a roda, o pandeiro — e soma com beats e projeções mapeadas. É uma forma de dialogar com quem nasceu no digital’, explica. Nas paredes, o coletivo ‘Grafite Consciente’ espalha rostos de personalidades negras e indígenas, com frases de resistência. ‘Cada muro é uma aula de história que a escola não dá’, afirma a grafiteira Jéssica Oliveira, 23.
Mas a revitalização cultural enfrenta desafios. A especulação imobiliária na região e a falta de patrocínio ameaçam a permanência dos artistas. ‘Muitos muros que pintamos já foram apagados pela prefeitura ou cobertos por propagandas’, lamenta Thiago. A saída encontrada foi o financiamento coletivo e parcerias com pequenos comerciantes locais. ‘Queremos que a cultura de rua seja vista como patrimônio, não como vandalismo’, completa Jéssica.
O movimento já inspirou eventos similares em São Paulo, Salvador e Belo Horizonte, e ganhou destaque em redes sociais como TikTok e Instagram. ‘A galera compartilha, debate, e isso gera um engajamento real. A cultura de rua nunca esteve tão viva’, conclui Thiago, enquanto ajusta o som para mais uma roda.
Cultura
Museu do Amanhã Lança Exposição Interativa sobre Realidade Virtual e Cultura Indígena
Mostra inédita combina tecnologia VR com arte e saberes ancestrais de povos originários do Brasil
Inovação e ancestralidade se encontram no Museu do Amanhã
O Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, inaugura no próximo mês a exposição ‘Realidades Originárias’, que mergulha o visitante em experiências de realidade virtual inspiradas em rituais, mitologias e artefatos de povos indígenas brasileiros. A curadoria, feita em parceria com lideranças tupi-guarani e xavante, busca promover a preservação cultural e o diálogo entre tecnologia e tradição.
A mostra ocupará dois andares do museu e contará com 15 estações de VR, onde o público poderá participar de uma cerimônia de cura com o pajé ou navegar por uma floresta amazônica reconstruída digitalmente a partir de dados de satélite. ‘É uma forma de democratizar o acesso à cultura indígena e combater estereótipos’, diz a diretora-geral, Maria Paula Fernandes.
A exposição também inclui painéis interativos sobre a história do contato entre europeus e nativos, além de obras de artistas contemporâneos indígenas, como Jaider Esbell e Denilson Baniwa. A entrada será gratuita às terças-feiras e terá programação especial de debates com antropólogos e ativistas.
A iniciativa é financiada pela UNESCO e pelo Ministério da Cultura, como parte do projeto ‘Cultura Digital e Inclusão’. A expectativa é receber mais de 100 mil visitantes nos primeiros três meses.
Cultura
Resgate Cultural: Arte Urbana Ganha Vida em Ruas Esquecidas de São Paulo
Projeto ‘Cores da Cidade’ revitaliza bairros históricos com murais de artistas locais e internacionais
Das Cinzas ao Colorido: O Renascimento das Ruas Paulistanas
As ruas do centro velho de São Paulo, antes marcadas pelo cinza do abandono, agora explodem em cores. O projeto ‘Cores da Cidade’, idealizado pelo coletivo cultural Urbanismo Poético, transformou 15 fachadas de prédios históricos em verdadeiras galerias a céu aberto. Artistas como Manoel Vergne, muralista baiano, e a argentina Clara Rossi uniram seus talentos para retratar a diversidade cultural brasileira.
Segundo a coordenadora do projeto, Ana Clara Mendes, a iniciativa busca resgatar a memória dos bairros e promover o turismo cultural. “Cada mural conta uma história: a do imigrante, do trabalhador, do artista de rua”, explica. A ação conta com apoio da Secretaria Municipal de Cultura e de empresas privadas, que financiaram os materiais e a logística.
O impacto já é visível: o fluxo de visitantes aumentou 40% na região nos últimos três meses, segundo dados da associação de comerciantes locais. Além disso, os moradores se engajaram em oficinas de graffiti e pintura, ministradas pelos próprios artistas. “A arte não embeleza só o espaço, ela devolve a autoestima da comunidade”, afirma Seu João, morador do bairro há 50 anos.
O projeto também inclui um aplicativo de realidade aumentada, que permite aos visitantes ver animações dos murais e ouvir áudios narrando a história de cada obra. A iniciativa já despertou interesse de outras cidades, como Rio de Janeiro e Belo Horizonte, que planejam replicar o modelo.
Para os organizadores, o sucesso do ‘Cores da Cidade’ prova que a cultura é ferramenta essencial de transformação social. “Não estamos apenas pintando paredes; estamos pintando futuros”, conclui Ana Clara.
Cultura
Arte Urbana Transforma Muros em Galerias a Céu Aberto em São Paulo
Projeto ‘Cores da Cidade’ revitaliza bairros periféricos com murais de artistas locais e internacionais, promovendo inclusão cultural.
O projeto ‘Cores da Cidade’ está transformando muros cinzentos em vibrantes galerias de arte urbana em bairros periféricos de São Paulo. Iniciado em maio de 2026, a iniciativa já conta com mais de 50 murais pintados por artistas locais e internacionais, como o brasileiro Eduardo Kobra e o francês JR. As obras retratam a diversidade cultural brasileira e temas sociais como a luta contra o racismo e a desigualdade.
A prefeitura de São Paulo, em parceria com ONGs culturais, forneceu tintas e equipamentos de segurança. Os bairros beneficiados incluem Brasilândia, Capão Redondo e Heliópolis. Moradores relatam que o projeto aumentou o turismo local e reduziu a criminalidade nas áreas revitalizadas.
O curador Pedro Mendes destaca que a arte urbana democratiza o acesso à cultura, levando arte para espaços públicos. Além disso, workshops gratuitos de grafite estão sendo oferecidos para jovens da comunidade, fomentando novos talentos. O projeto deve se expandir para outras cidades brasileiras até o final do ano.
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